CÂNCER DE MAMA: E AGORA?

O diagnóstico do câncer ainda é visto socialmente com lentes de tristeza e desesperança. “Câncer de mama: o que faço agora?”

Tudo bem! Não é uma notícia que gostaríamos de receber, mas o foco passa a ser nos cuidados que devemos dedicar a este momento da vida. Vejo, na minha prática profissional, diversos pacientes chegarem com mil restrições ao iniciarem o tratamento quimioterápico. Tantos “NÃOS” são colocados neste caminho que por si só já não é dos mais fáceis: “Não posso trabalhar.” “Não posso cozinhar.” “Não posso ir ao shopping.” “Não posso comer fora de casa.”

Não posso isso, não posso aquilo… Quando pergunto quem colocou estas restrições, me certifico que não foram médicos nem a equipe, mas os próprios pacientes e familiares. Essa situação é bem possível de acontecer, pois quando em tratamento, buscamos maior controle para que dê tudo certo. Mas aí eu pergunto: será que no meio de tantas novidades como a quimioterapia colocar ainda mais restrições ajudará no processo? Concluo que não.

Devemos sim ter mais cuidado com a alimentação, com a baixa imunidade, dentre outras coisas. Só que  deixar de fazer o que gostamos e temos prazer só torna o tratamento mais lento e difícil.

Quantas vezes reclamamos que não temos tempo para nada porque o trabalho ocupa grande parte do nosso tempo? Entramos pela manhã e saímos à noite, sem ver o dia passar? Que tal, se realmente não tiver capacidade para trabalhar durante a quimio, você buscar maior contato com a família, aproximar-se dos filhos ou simplesmente acompanhar o nascer ou o pôr do sol no seu lugar preferido?


Aos pacientes e familiares, sugiro sempre a parceria com a equipe de saúde. Busque sempre o médico, enfermeiro, psicólogo, farmacêutico e nutricionista para tirar dúvidas e esclarecer sobre as possibilidades durante o tratamento.

Aos pacientes, muita paciência! Essa é a chance de vocês encontrarem formas de distração e de continuarem sim sendo úteis para si mesmos e para o mundo.

Aos familiares, comuniquem-se e descubram pela fala do próprio paciente/familiar quais são as suas reais necessidades e suas capacidades. A conversa sempre facilita a relação.

As restrições de fato podem existir, não podemos nos esconder delas. Apesar disso, vejo esta fase como uma possibilidade para sermos criativos e descobrirmos novas formas de sermos nós mesmos.

Portanto, desejo a todos vocês uma boa caminhada. Aproveitem e se escutem mais, dando a oportunidade de serem mais felizes e melhores com vocês próprios.

Beijos
Dani Sampaio
Psicóloga

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