Sexualidade e Câncer

sexualidade

Todos sabemos que o assunto da sexualidade é carregado de muitos tabus e estigmas sociais. Se voltarmos no tempo, vamos constatar que a sexualidade esteve sempre associada à procriação, à continuidade da espécie humana. Caso contrário, era associada à vulgaridade, ou seja, a hábitos que estavam fora das regras sociais, que era proibida de ser falada.

Outro dia, eu fui convidada para dar uma palestra sobre este assunto, e uma das mulheres – uma senhora que apresentava ter uns 70 anos – que estava assistindo, pediu a palavra e contou-nos que até a menstruação era um assunto proibido de ser falado na sua casa.

Esta ideia da sexualidade é totalmente avessa à condição de saúde. O que quero dizer com isso? A Organização Mundial da Saúde (OMS) entende que a sexualidade é essencial à saúde, pois além das condições biológicas, psicológicas, sociais e espirituais, esta compõe o senso de identidade pessoal.

Então, alguém que não se sente à vontade com a sua sexualidade, que não se toca, que não busca caminhos para a obtenção de prazer, para a troca afetiva e íntima com o outro, não está cuidando da sua saúde, não está exercitando o auto-cuidado.
Continuar lendo

Anúncios

RELAÇÃO MÉDICO-PACIENTE

Como disse o nosso querido Chacrinha, quem não se comunica, se estrumbica! É disso que quero falar aqui para vocês. Todo relacionamento acontece através da comunicação, não é mesmo? Pode ser através de palavras, gestos, expressões faciais e até mesmo, o silêncio.

Quando uma mulher se depara com o câncer de mama, a comunicação com os seus médicos e com os profissionais de saúde que integram a equipe multiprofissional, será seu principal instrumento para um bom vínculo e um diálogo de qualidade. O andamento do seu tratamento será possível e esperançoso conforme a relação estabelecida com a equipe que lhe cuida. E esta relação só poderá ser confiável, com sentimentos de segurança e dignidade, se houver verdade e transparência na comunicação. 
Continuar lendo

MIRANDO ALTO

Os pesquisadores do MD Anderson – Centro de Câncer, em Houston/TX – USA – tem como meta a eliminação de alguns tipos de cânceres até o final desta década.

O programa baseia-se num evento de 50 anos atrás, quando o presidente John F. Kennedy prometeu que o homem iria à lua antes do final da década de 60. Vi o acontecimento em 1969, e cá estou numa torcida terrível de ver isto também. Continuar lendo

CÂNCER DE MAMA: E AGORA?

O diagnóstico do câncer ainda é visto socialmente com lentes de tristeza e desesperança. “Câncer de mama: o que faço agora?”

Tudo bem! Não é uma notícia que gostaríamos de receber, mas o foco passa a ser nos cuidados que devemos dedicar a este momento da vida. Vejo, na minha prática profissional, diversos pacientes chegarem com mil restrições ao iniciarem o tratamento quimioterápico. Tantos “NÃOS” são colocados neste caminho que por si só já não é dos mais fáceis: “Não posso trabalhar.” “Não posso cozinhar.” “Não posso ir ao shopping.” “Não posso comer fora de casa.”

Não posso isso, não posso aquilo… Quando pergunto quem colocou estas restrições, me certifico que não foram médicos nem a equipe, mas os próprios pacientes e familiares. Essa situação é bem possível de acontecer, pois quando em tratamento, buscamos maior controle para que dê tudo certo. Mas aí eu pergunto: será que no meio de tantas novidades como a quimioterapia colocar ainda mais restrições ajudará no processo? Concluo que não.

Devemos sim ter mais cuidado com a alimentação, com a baixa imunidade, dentre outras coisas. Só que  deixar de fazer o que gostamos e temos prazer só torna o tratamento mais lento e difícil.

Quantas vezes reclamamos que não temos tempo para nada porque o trabalho ocupa grande parte do nosso tempo? Entramos pela manhã e saímos à noite, sem ver o dia passar? Que tal, se realmente não tiver capacidade para trabalhar durante a quimio, você buscar maior contato com a família, aproximar-se dos filhos ou simplesmente acompanhar o nascer ou o pôr do sol no seu lugar preferido?


Aos pacientes e familiares, sugiro sempre a parceria com a equipe de saúde. Busque sempre o médico, enfermeiro, psicólogo, farmacêutico e nutricionista para tirar dúvidas e esclarecer sobre as possibilidades durante o tratamento.

Aos pacientes, muita paciência! Essa é a chance de vocês encontrarem formas de distração e de continuarem sim sendo úteis para si mesmos e para o mundo.

Aos familiares, comuniquem-se e descubram pela fala do próprio paciente/familiar quais são as suas reais necessidades e suas capacidades. A conversa sempre facilita a relação.

As restrições de fato podem existir, não podemos nos esconder delas. Apesar disso, vejo esta fase como uma possibilidade para sermos criativos e descobrirmos novas formas de sermos nós mesmos.

Portanto, desejo a todos vocês uma boa caminhada. Aproveitem e se escutem mais, dando a oportunidade de serem mais felizes e melhores com vocês próprios.

Beijos
Dani Sampaio
Psicóloga