ANA PAULA SAMPAIO CALDEIRA – CÂNCER DE MAMA AOS 30

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Nunca me senti muito à vontade com a ideia de dar um depoimento. Não que eu seja exatamente uma pessoa “reservada”. Também não se trata de não querer compartilhar a minha experiência com outras pessoas, como se eu quisesse esconder ou esquecer que passei por isso. Minha hesitação vem do fato de eu acreditar que cada experiência é única e individual. Portanto, tenho plena consciência de que cada um que passa por essa ou outras situações delicadas na vida a encara de uma forma particular.

De qualquer maneira, o que me estimula a escrever é lembrar que, quando descobri o câncer, eu mesma li muitos depoimentos de pacientes e ex-pacientes e que cada um deles, à sua maneira, contribuiu para que eu entendesse o que estava se passando comigo e me ajudaram a dar sentido àquilo tudo.

Eu descobri o meu tumor aos 30 anos de idade. Não tenho ideia de há quanto tempo ele estava lá alojado na mama direita. Há uns 2 ou 3 anos eu não fazia a ultrassom e nenhum médico tinha me indicado fazer mamografia até aquele momento. A descoberta começou com uma visita de rotina à ginecologista. A investigação foi aprofundando, aprofundando e pronto: lá estava o diagnóstico. Um mês depois, começava o tratamento: 16 sessões de quimio, seguidas pela cirurgia e 25 sessões de radio.

Evidentemente, é sempre um choque saber que se está com câncer e é muito, mas muito cansativo mesmo passar pelo tratamento. Mas uma das partes mais difíceis foi dar a notícia aos amigos, parentes e marido e ver neles a falta de palavras e o olhar de preocupação.

Não quero fazer o discurso da “paciente-super-heroína”, que passou por tudo com valentia e sorriso no rosto. Comigo não foi assim! Fiquei preocupada, tensa e triste, principalmente nos momentos em que meu corpo se mostrava debilitado pelo tratamento. Mas, não sei bem explicar porquê, sempre tive a impressão de que estava no controle da situação e de aquela era uma fase que iria passar. Reafirmo as palavras da Paula (a “dona” desse blog!!) quando ela diz que essa não foi a pior experiência da sua vida. Além disso, ainda hoje há muitas outras doenças e situações que me causam muito mais medo do que o câncer. Por outro lado, também tive a sorte de contar com um marido, uma família, médicos e amigos incríveis que me ajudavam a encarar com mais leveza a situação.

Às vezes, as pessoas perguntam o que mudou na minha vida depois de ter passado pelo diagnóstico do câncer de mama, talvez esperando que eu relate uma mudança radical de postura diante do mundo. Na verdade, depois do tratamento as coisas foram, aos poucos, voltando ao normal, isto é, a rotina cotidiana de trabalho, estudos, entos de alegria e também de “abacaxis” para resolver não me abandonou. O que eu certamente ganhei foi a percepção daquilo que era efetivamente importante pra mim e a compreensão da necessidade de cuidar mais do meu corpo e de estar atenta aos seus limites.

Ana Paula Sampaio Caldeira

paideia@ig.com.br

Sexualidade e Câncer

sexualidade

Todos sabemos que o assunto da sexualidade é carregado de muitos tabus e estigmas sociais. Se voltarmos no tempo, vamos constatar que a sexualidade esteve sempre associada à procriação, à continuidade da espécie humana. Caso contrário, era associada à vulgaridade, ou seja, a hábitos que estavam fora das regras sociais, que era proibida de ser falada.

Outro dia, eu fui convidada para dar uma palestra sobre este assunto, e uma das mulheres – uma senhora que apresentava ter uns 70 anos – que estava assistindo, pediu a palavra e contou-nos que até a menstruação era um assunto proibido de ser falado na sua casa.

Esta ideia da sexualidade é totalmente avessa à condição de saúde. O que quero dizer com isso? A Organização Mundial da Saúde (OMS) entende que a sexualidade é essencial à saúde, pois além das condições biológicas, psicológicas, sociais e espirituais, esta compõe o senso de identidade pessoal.

Então, alguém que não se sente à vontade com a sua sexualidade, que não se toca, que não busca caminhos para a obtenção de prazer, para a troca afetiva e íntima com o outro, não está cuidando da sua saúde, não está exercitando o auto-cuidado.
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O QUE É O OUTUBRO ROSA?

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Muita gente escuta falar no Outubro Rosa, sabe que é sobre câncer de mama até, mas não entende exatamente o que é. Vamos explicar direitinho.

Criado nos anos 90, nos Estados Unidos, o Outubro Rosa é um movimento mundial de luta contra o câncer de mama. Algumas cidades começaram a fazer manifestações em prol do diagnóstico precoce e as pessoas começaram a aderir, usando o laço rosa (criado pela Fundação Susan G. Komen) como símbolo. Com isso, começaram as iniciativas como caminhadas, corridas, iluminação de monumentos, venda de produtos e etc, que se espalhou pelo mundo todo.

A FEMAMA (Federação Brasileira de Instituições Finaltrópicas de apoio à saúde da Mama) trouxe o movimento para o Brasil em 2006. Em todo o país, monumentos importantes são iluminados de rosa, entre outras ações. Diversas marcas aderiram à causa também, promovendo eventos, bate-papos e palestras. O mais importante é que os governos, em parceria com iniciativas privadas, oferecem mamografias gratuitas para a população nesse período.

O câncer de mama é uma das doenças que mais mata mulheres no Brasil, mais até do que a AIDS. E pq uma doença que é altamente curável se descoberta cedo, mata mais do que outra que não tem cura? Na minha opinião é a IGNORÂNCIA, é o não saber e não querer descobrir. Informação é tudo!

Esse é um momento onde você deve parar e pensar um pouco na sua saúde, lembrar-se de marcar seu exame anual, incluindo o exame clínico das mamas. Mesmo que o médico não passe, aproveite e solicite, insista. Isso pode salvar sua vida.

Beijos

Paula
@maonamama

VOLTAMOS!

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Voltamos com o blog Mão na Mama!

Marca nova, casa nova e o mesmo ânimo para falar sobre câncer de mama. Não sei quanto vou poder escrever por aqui, mas esse é um canal aberto para falar sobre a doença, aprender e pedir ajuda. Além disso você poderá nos acompanhar pela FANPAGE e pelo novíssimo INSTAGRAM

Opinem, peçam, perguntem e participem!

Beijos

Paula

 

ESVAZIAMENTO DE AXILA OU LINFADENECTOMIA

Bú! Nome feio e processo que assusta a maioria das pacientes de câncer de mama. O que é isso???Literalmente, consiste na remoção cirúrgica de um ou mais grupos de linfonodos

O que são os linfonodos? Segundo o wikipédia:

“Os linfonodos ou gânglios linfáticos são pequenos órgãos perfurados por canais que existem em diversos pontos da rede linfática, uma rede de ductos que faz parte do sistema linfático. Atuam na defesa do organismo humano e produzem anticorpos”.

Não quero fazer aqui um texto muito complexo e técnico pois não sou médica. Gostaria de passar para vocês a experiência que EU tive no MEU caso e como lido com isso até hoje – e vou lidar minha vida inteira!

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RADIOTERAPIA NO CÂNCER DE MAMA

Acabei de perceber que eu nunca havia postado sobre radioterapia aqui – um dos assuntos que mais me perguntam! Então, peguei o post que eu já tinha feito para o meu outro blog, o Mulherzinha, e dei uma repaginada!
Acho que não é nada mais que minha obrigação em fazer esse post para vcs e para todas as pessoas que vão passar pelo tratamento. Acho que depois de ter tido câncer de mama, uma das minhas missões é ajudar e alertar, como venho tentando fazer.Uma das coisas que mais acontece com quem está passando pelo câncer é o medo do desconhecido. Eu tive e, por isso, resolvi fazer esse post bem detalhado.Logo antes da radioterapia, me bateu uma curiosidade grande sobre como era o processo e como o peito iria ficar. Pesquisei na internet e encontrei muito pouca informação, principalmente no que diz respeito ao aspecto do peito.Não quero assustar ninguém, mas acho que é bem melhor estar ciente de tudo que vai acontecer do que ou vir versões “suaves” como as quais os médicos me passavam. É muito provável que as reações variem de pessoa para pessoa, então é importante deixar claro que tudo aqui aconteceu COMIGO. As pessoas me falavam “a rádio é super tranquila, bem melhor que a quimio!”. Ela pode até ser melhor que a quimio, mas não é tão tranquila assim. O que posso dizer? Dos males, o menor.

O processo é o seguinte:

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QUIMIOTERAPIA E BELEZA

Se você estiver se perguntando o que uma coisa tem haver com outra, eu te respondo: T-U-D-O!

Decididamente, falando com conhecimento de causa, a beleza é uma grande aliada durante o tratamento de câncer, principalmente no de mama.
Sempre fui muito vaidosa e não deixei de ser quando fiquei doente. Nesse meu processo de cura, principalmente durante a quimioterapia, que a minha vaidade foi fundamental para que eu passasse esse tempo de forma tranquila e alto astral.
Cabelos
Quando acontece o diagnóstico, a primeira coisa que a maioria das mulheres pensa é “vou ficar careca!”. A maioria fica sim, e daí? A queda do cabelo geralmente acontece pois a quimioterapia bloqueia as células em crescimento no corpo: os pelos e o câncer. Não existe “almoço de graça”, né? É algo que se tem que passar, mas é temporário. Os cabelos voltam a crescer bem rapidinho, logo após o fim da quimio.
Existem várias formas de amenizar isso! Aconselho as perucas de cabelo natural sob medida (são mais caras do que as sintéticas, mas ficam muito mais bonitas e incomodam menos!) e os milhares tipos lindos de lenços que existem por ai! Aproveite a moda dos turbantes! Confira alguns modelos da linda especialista no assunto, Thaís Muniz

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DEPOIMENTO: ANA PAULA ANDRADE MOREIRA

Sou Ana Paula Andrade Moreira, baiana, solteira, 39 anos de idade, empresária, professora universitária, palestrante e consultora de Recursos Humanos. Tenho cinco sobrinhos lindos, uma mãe maravilhosa, dois irmãos que me amam muito, uma cachorrinha linda e muitos amigos. Sou uma pessoa de bem com a vida. Minha maior qualidade: Otimismo. 

Passei por momentos de trauma na minha vida: tive um dramático choque em 2010, com a perda do meu primeiro filho durante a gestação. Algum tempo depois, veio a separação do meu companheiro. Em 2011 tive outra perda: a morte de meu pai.

Mesmo com tantas dores, nunca deixei de acreditar em Deus e numa vida melhor! Busquei ajuda de psicólogos para superar as dores e o esporte para me tirar da tristeza e da solidão. Descobrir um verdadeiro amor pela corrida. Correr me faz bem e quando estou correndo sinto a presença de Deus! Desde então, passei a fazer muitos planos – inclusive a preparação para meia maratona no Rio de Janeiro em julho de 2013 e para a São Silvestre em São Paulo!

Foi então, no final de 2012, comecei a observar que algo não estava bem com minha mama direita. Confesso que em nenhum momento pensei que pudesse estar com câncer de mama. Logo eu que sempre tive uma vida muito saudável! Boa alimentação, prática de esportes regulamente (corrida, pilates e bike). Não imaginava que poderia fazer parte da estatística de mulheres com a doença!

Somente em janeiro de 2013 parei para ir ao médico. Passei três meses achando que tinha um simples caroço na mama. Não tinha nenhum histórico da doença na família e fazia os meus exames periodicamente.   Mas a vida me surpreendeu com diagnóstico de câncer de mama.

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RELAÇÃO MÉDICO-PACIENTE

Como disse o nosso querido Chacrinha, quem não se comunica, se estrumbica! É disso que quero falar aqui para vocês. Todo relacionamento acontece através da comunicação, não é mesmo? Pode ser através de palavras, gestos, expressões faciais e até mesmo, o silêncio.

Quando uma mulher se depara com o câncer de mama, a comunicação com os seus médicos e com os profissionais de saúde que integram a equipe multiprofissional, será seu principal instrumento para um bom vínculo e um diálogo de qualidade. O andamento do seu tratamento será possível e esperançoso conforme a relação estabelecida com a equipe que lhe cuida. E esta relação só poderá ser confiável, com sentimentos de segurança e dignidade, se houver verdade e transparência na comunicação. 
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Senado aprova obrigação de reconstrução de mama pelo SUS

 
Projeto garante acesso das mulheres a procedimentos de procedimentos corretivos em casos de de retirada de tumor nos seios
O plenário do Senado aprovou na noite desta terça-feira (26) um projeto de lei que obriga o Sistema Único de Saúde (SUS) a realizar a cirurgia plástica reparadora imediatamente após a retirada da mama, em casos de câncer.Aprovado em 7 de março do ano passado na Câmara, o texto segue para sanção presidencial.

Para a relatora da proposta, senadora Ana Amélia (PP-RS), a medida irá beneficiar principalmente as mulheres mais pobres. A senadora também comemorou a aprovação do texto, porque segundo ela, atualmente as cirurgias são adiadas indefinidamente no sistema público de saúde. Durante a tramitação na Câmara, deputados lembraram que, para a proposta ter efeito prático, é preciso reajustar a tabela de pagamentos do SUS.

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