Sexualidade e Câncer

sexualidade

Todos sabemos que o assunto da sexualidade é carregado de muitos tabus e estigmas sociais. Se voltarmos no tempo, vamos constatar que a sexualidade esteve sempre associada à procriação, à continuidade da espécie humana. Caso contrário, era associada à vulgaridade, ou seja, a hábitos que estavam fora das regras sociais, que era proibida de ser falada.

Outro dia, eu fui convidada para dar uma palestra sobre este assunto, e uma das mulheres – uma senhora que apresentava ter uns 70 anos – que estava assistindo, pediu a palavra e contou-nos que até a menstruação era um assunto proibido de ser falado na sua casa.

Esta ideia da sexualidade é totalmente avessa à condição de saúde. O que quero dizer com isso? A Organização Mundial da Saúde (OMS) entende que a sexualidade é essencial à saúde, pois além das condições biológicas, psicológicas, sociais e espirituais, esta compõe o senso de identidade pessoal.

Então, alguém que não se sente à vontade com a sua sexualidade, que não se toca, que não busca caminhos para a obtenção de prazer, para a troca afetiva e íntima com o outro, não está cuidando da sua saúde, não está exercitando o auto-cuidado.

Sexualidade está totalmente relacionada à vitalidade, à vontade de viver. Quanto mais reconhecemos a nossa própria sexualidade, mais impulsos temos para viver os desafios cotidianos.

Não estou me restringindo ao ato sexual, propriamente dito, e sim, considero todas as formas de obtenção de prazer: expressões dos sentimentos, diversos tipos de toques, carícias, masturbação e também os vários tipos de sexo.

De repente, uma pessoa é impactada com a notícia de um câncer. É claro que as emoções que aparecerão nela tendem a ser ansiedade, medo, tristeza e insegurança. Não necessariamente, seja numa intensidade que tome conta da pessoa; não importa a intensidade, e sim, que a nova e desconhecida realidade assusta.

Também não importa se esta pessoa é homem ou mulher, e sim, que é ser humano! Então pergunto: como que ela pode estar muito bem com a sua sexualidade, interessada em sentir prazer, se passa por ela, diversas preocupações, receios e novas e desagradáveis informações? É preciso cuidado consigo mesmo, com um olhar respeitoso sobre este momento. 

E se o diagnóstico oncológico estiver relacionado com os órgãos sexuais (mama, vagina, útero, ovários, pênis, testículo, próstata)? Esta pergunta é importante, pois estes órgãos se relacionam com os hormônios estrogênio, progesterona e testosterona, que muitas vezes, estão relacionados com o desenvolvimento do câncer. Dentre as várias finalidades destes hormônios, está a responsabilidade pelo crescimento e desenvolvimento das células de vários órgãos e também os sexuais. E assim, começa o desenvolvimento errado de células que se transformam em um tumor.

O estrogênio é responsável pelas características femininas, estimula a proliferação das células dos órgãos sexuais femininos, dos ossos, da textura da pele e a gordura abdominal, ou seja, é o combustível da feminilidade.

E a testosterona é responsável pelas características masculinas, é o hormônio da memória e favorece a função e o desempenho sexual (as mulheres também têm).

Diante do câncer, alguns tratamentos têm o objetivo de impedir a circulação destes hormônios e assim, os hormônios responsáveis pela sexualidade, diminuem significativamente no corpo de quem enfrenta o câncer. Por isso, escuto de muitos pacientes que sentem-se menos mulheres e menos homens, com uma sensação da sua força e da sua vitalidade diminuídas.

Vemos como é importante ter um olhar também voltado para a sexualidade, pois esta merece ser cuidada da mesma forma que outras partes que nos compõem.

O suporte psicoterapêutico pode ser indicado, quando a pessoa não encontra outros recursos próprios ou não se identifica com as dicas que darei logo a seguir.

Sexualidade também está totalmente relacionado com criatividade, pois ambas contribuem para a sensação de bem estar e de pertencimento na vida. Que tal seguir uma dessas dicas?

• Ler materiais informativos e estimulantes sobre sexo
• Assistir filmes eróticos
• Criar intimidade sexual
• Conversar a respeito com o (a) parceiro (a)
• Respeitar as preferências e o ritmo de cada pessoa
• Fazer um acordo sexual
• Esforçar-se para superar a inibição
• Estar espontâneo (a)
• Usar medicações, quando necessário e indicado
• Usar gel lubrificante
• Escrever um diário sexual

Quero frisar de que pode ser que você não se identifique com estas dicas, mas não tem problema, use a criatividade!

Lembre sempre que a sexualidade diz respeito à SUA experiência, não a de outra pessoa. Portanto, se quiser mudá-la, crie! Você pode ser tão atraente quanto quiser ser e acreditar de verdade. Você é o que acredita ser!

Que tal, parar um minutinho para refletir sobre a sua sexualidade? Estas perguntas podem te ajudar:

• Quais foram os ensinamentos sobre sexo que você recebeu de seus pais?

• Com quem ou aonde mais você aprendeu sobre sexo? Irmãos, outros familiares, colegas da escola, amigos, professores, revistas?
• Com que idade você descobriu a masturbação? Como aconteceu? Como se sentiu?
• Você teve fantasias sexuais? Quais? Com que idade?
• Suas crenças religiosas influenciam de algum modo sua sexualidade?
• Sente-se à vontade ao falar sobre sexo?
• O quanto o prazer é importante para você?
• Já experimentou o orgasmo?
• Qual foi a sua melhor experiência sexual? E a pior?
• Já fez sexo contra a sua vontade?
• Como se sente em relação ao sexo neste momento?
• O que você aprendeu sobre o sexo em seus relacionamentos?
• O que você deseja alcançar em sua vida sexual?

Viva a sexualidade!!!

Sabrina Costa Figueira
Psicóloga

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